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Microagulhamento

Cicatrizes de acne: os tipos e o que funciona para cada um

Ice pick, boxcar e rolling respondem a técnicas diferentes. Entenda a classificação das cicatrizes e por que o protocolo precisa ser combinado.

MF Por Dra. Mariane Farinelli
Biomédica Esteta · Ribeirão Preto/SP
Publicado em 6 min de leitura
Pele do rosto em close com iluminação lateral
Pele do rosto em close com iluminação lateral · Imagem ilustrativa

Cicatriz de acne é um dos poucos quadros em estética onde a expectativa precisa ser negociada antes de qualquer procedimento. Não existe protocolo que apague — existe melhora, às vezes expressiva, construída ao longo de meses e quase sempre combinando técnicas. Entender isso desde o início é o que separa satisfação de frustração.

Antes de tudo: a acne precisa estar controlada

Tratar cicatriz com acne ativa é trabalhar contra uma produção contínua de novas lesões. Cada surto inflamatório tem potencial de gerar nova cicatriz, e alguns procedimentos podem inclusive agravar quadros inflamatórios em atividade.

O controle da acne é conduta médica dermatológica. Quem chega ao consultório de estética com acne inflamatória ativa deve ser encaminhado para essa avaliação — e o profissional que faz esse encaminhamento em vez de iniciar um protocolo está agindo corretamente.

Só depois de estabilizado o quadro faz sentido discutir cicatriz. Não é adiamento: é sequência.

Mancha não é cicatriz

Esta distinção resolve uma parcela grande das consultas, porque muita gente busca tratamento para cicatriz quando o que tem é mancha.

Hiperpigmentação pós-inflamatória é uma mancha escura que reproduz o formato da lesão anterior. A pele está lisa — passe o dedo e não há relevo. Tende a clarear ao longo de meses com fotoproteção, e responde bem a protocolos específicos.

Eritema pós-inflamatório é a marca avermelhada ou rosada, mais comum em peles claras, também sem alteração de relevo. Tende a se resolver espontaneamente, embora possa levar meses.

Cicatriz tem alteração de relevo — depressão ou elevação. Envolve mudança estrutural no tecido, e é isso que a torna mais difícil de tratar.

O teste é simples: feche os olhos e passe o dedo sobre a área. Se estiver lisa, é mancha, e a conduta está descrita no artigo sobre tipos de mancha no rosto. Se houver relevo, é cicatriz.

Os tipos de cicatriz atrófica

Cicatrizes atróficas — as deprimidas — são as mais frequentes na acne e se dividem em três padrões, com respostas bastante diferentes ao tratamento.

Ice pick

Estreitas, profundas, com aspecto de perfuração feita por um objeto pontiagudo. Costumam ter menos de 2 milímetros de largura e se estendem verticalmente para a profundidade da derme.

São as mais resistentes ao tratamento, justamente porque a profundidade dificulta o alcance das técnicas de superfície. Respondem melhor a abordagens que atuam pontualmente na lesão específica.

Boxcar

Depressões de bordas bem definidas e fundo plano, com aspecto de cratera de paredes retas. Podem ser superficiais ou profundas.

Respondem razoavelmente bem a técnicas de renovação e indução de colágeno, sobretudo as mais superficiais. As profundas exigem abordagens combinadas.

Rolling

Ondulações amplas com bordas suaves, que dão à pele um aspecto irregular quando iluminada lateralmente. São causadas por tratos fibrosos que ancoram a pele às camadas profundas, puxando-a para baixo.

Por terem essa causa específica — a tração fibrosa —, respondem melhor a técnicas que liberam essas aderências do que a técnicas que atuam apenas na superfície.

Comparação

TipoAparênciaCausaResposta
Ice pickEstreita e profunda, como perfuraçãoDestruição tecidual em profundidadeMais resistente; exige abordagem pontual
BoxcarCratera de bordas retas e fundo planoPerda de tecido com bordas definidasRazoável, sobretudo nas superficiais
RollingOndulação ampla de bordas suavesTratos fibrosos que tracionam a peleBoa, com técnicas que liberam a aderência
Hipertrófica/queloideElevada, endurecidaProdução excessiva de colágenoConduta distinta; frequentemente médica

A maioria das pessoas apresenta mais de um tipo simultaneamente, e é isso que torna o protocolo necessariamente combinado. Um único procedimento aplicado a um rosto com três padrões de cicatriz vai melhorar um deles e deixar os outros dois inalterados.

As abordagens disponíveis

  • Microagulhamento: indução de colágeno por microperfurações controladas. Boa resposta em boxcar superficial e melhora geral de textura. Detalhado no artigo sobre microagulhamento.
  • Subcisão: técnica que libera os tratos fibrosos responsáveis pelas cicatrizes rolling, permitindo que a pele se solte da tração. É a abordagem mais específica para esse padrão.
  • Peelings: promovem renovação e melhoram textura e uniformidade. Peelings de aplicação pontual têm uso descrito para lesões do tipo ice pick.
  • Lasers e tecnologias de energia: atuam em diferentes profundidades conforme o equipamento. Escopo e indicação variam conforme regulamentação profissional.
  • Preenchimento: eleva depressões pontuais, com resultado imediato porém temporário. Não trata a causa, mas melhora o aspecto de cicatrizes específicas.

Por que o protocolo é combinado

Cada técnica alcança uma profundidade e resolve um mecanismo. Como a maior parte dos rostos tem tipos de cicatriz mistos, o protocolo eficiente costuma alternar abordagens ao longo de meses.

Uma sequência frequente começa liberando as aderências das cicatrizes rolling, segue com indução de colágeno para melhora geral de textura, e trata pontualmente as lesões que não responderam. Cada etapa exige intervalo para que a pele se recupere e para que o colágeno se organize.

É por isso que quem promete resolver cicatriz de acne em duas sessões está prometendo o que a técnica não entrega.

Expectativa realista

Vale nomear isso com clareza: o objetivo é melhora, não eliminação.

Protocolos bem conduzidos costumam produzir melhora perceptível na profundidade e na irregularidade das cicatrizes, com ganho importante na uniformidade da pele sob luz direta — que é justamente quando as cicatrizes mais aparecem. Mas a estrutura da pele não retorna ao estado anterior à acne.

O prazo também precisa ser dimensionado. Protocolos se desenvolvem ao longo de seis meses a mais de um ano, com sessões espaçadas e melhora gradual. Fotografia padronizada é especialmente valiosa aqui, porque a mudança lenta é difícil de perceber por quem se vê todos os dias.

Fototipos mais altos: cautela adicional

Peles com maior quantidade de melanina têm risco significativamente maior de responder a procedimentos com hiperpigmentação pós-inflamatória — ou seja, o tratamento da cicatriz pode gerar mancha.

Isso não contraindica o tratamento, mas exige protocolos mais graduais, concentrações menores, intervalos maiores entre sessões e, frequentemente, preparo prévio da pele. Também torna a fotoproteção no pós-procedimento uma condição, não uma recomendação — especialmente no índice UV de Ribeirão Preto.

O que não funciona

  • Esfoliação intensa e frequente. Cicatriz é alteração estrutural na derme; esfoliar a superfície não a alcança e compromete a barreira.
  • Cremes que prometem eliminar cicatrizes. Ativos tópicos melhoram textura e pigmentação, mas não corrigem depressão estrutural.
  • Receitas caseiras. Além de ineficazes, frequentemente geram inflamação — e inflamação piora tanto pigmentação quanto cicatriz.
  • Espremer lesões ativas. É uma das principais causas de cicatriz, ao aprofundar o processo inflamatório.
  • Tratar cicatriz com acne ativa. Trabalha contra uma produção contínua de novas lesões.

O papel da fotoproteção no tratamento

É um elo que costuma passar despercebido e que importa por dois motivos distintos.

Primeiro, porque a radiação ultravioleta escurece as marcas pós-inflamatórias que quase sempre acompanham as cicatrizes. Uma cicatriz cercada de mancha escura chama muito mais atenção que a mesma cicatriz em pele uniforme — e boa parte da melhora percebida ao final de um protocolo vem justamente da uniformização do tom ao redor.

Segundo, porque praticamente todas as abordagens envolvem uma fase de recuperação em que a pele fica mais vulnerável. Exposição solar nesse período é o principal fator de risco para hiperpigmentação pós-inflamatória — o tratamento da cicatriz produzindo mancha, que é o desfecho mais frustrante possível.

No índice UV de Ribeirão Preto, isso deixa de ser recomendação e passa a ser condição. Quem não consegue sustentar fotoproteção rigorosa ao longo de meses provavelmente deve adiar o início do protocolo em vez de comprometê-lo pela metade — orientações no artigo sobre protetor solar em Ribeirão Preto.

Por onde começar

A sequência que funciona é: controlar a acne com acompanhamento médico; aguardar a estabilização; identificar quais tipos de cicatriz estão presentes; estabelecer fotoproteção e rotina consistente; e só então construir um protocolo combinado com cronograma definido e expectativa alinhada.

Pular etapas encurta o caminho aparente e alonga o real.

Perguntas frequentes

Cicatriz de acne tem cura?

O objetivo dos tratamentos é melhora, não eliminação. Protocolos bem conduzidos costumam reduzir de forma perceptível a profundidade e a irregularidade das cicatrizes, com ganho importante na uniformidade da pele, mas a estrutura não retorna integralmente ao estado anterior à acne.

Qual o melhor tratamento para cicatriz de acne?

Não há um único, porque a maioria das pessoas apresenta mais de um tipo de cicatriz simultaneamente e cada padrão responde a um mecanismo diferente. Protocolos eficientes costumam combinar técnicas ao longo de meses, ajustadas aos tipos presentes em cada rosto.

Quantas sessões são necessárias?

Varia bastante conforme os tipos de cicatriz, a extensão e a resposta individual. Protocolos costumam se desenvolver ao longo de seis meses a mais de um ano, com sessões espaçadas para permitir recuperação e organização do colágeno entre elas.

Mancha de acne é cicatriz?

Não. Se a pele está lisa ao toque, trata-se de hiperpigmentação pós-inflamatória ou eritema pós-inflamatório, que tendem a melhorar com o tempo e respondem a protocolos específicos. Cicatriz envolve alteração de relevo, com depressão ou elevação perceptível ao passar o dedo.

Posso tratar cicatriz com acne ativa?

Não é recomendável. A acne ativa continua produzindo novas lesões com potencial de gerar novas cicatrizes, e alguns procedimentos podem agravar quadros inflamatórios em atividade. O controle da acne é conduta médica e precede o tratamento das cicatrizes.

MF

Dra. Mariane Farinelli

Biomédica Esteta · Ribeirão Preto/SP

Biomédica esteta com atuação em harmonização facial e estética avançada em Ribeirão Preto. Trabalha com protocolos individualizados, priorizando segurança, naturalidade e a escuta do que cada paciente realmente busca.

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Aviso importante: este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Ele não substitui a avaliação presencial, não constitui prescrição nem promessa de resultado. Procedimentos estéticos têm indicações, contraindicações e riscos que só podem ser avaliados individualmente por profissional habilitado. Resultados variam de pessoa para pessoa.

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Cada rosto tem uma anatomia, uma história e um objetivo diferentes. A conversa inicial existe para entender o seu caso antes de qualquer indicação.

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